9 meses de home office: o que aprendemos durante este período?

em Geral
25 de dezembro de 2020

Flexibilização das rotinas, mais comunicação e o uso da tecnologia já são alguns dos legados percebidos

Um estudo elaborado pela Fundação Instituto de Administração (FIA) aponta que 46% das empresas adotaram o home office durante a pandemia. Muitas delas não imaginavam a possibilidade de trabalhar neste formato e tiveram de se adaptar. Já são nove meses desde o início do isolamento social e a pergunta que fica é: o que aprendemos com o teletrabalho?

A flexibilização ditou as relações de trabalho de maneira geral. Líderes com seus times, seus pares, líderes de alta gestão, que conduzem decisões estratégicas e que negociam com clientes e fornecedores: todos estes precisaram flexibilizar a forma de entender o que é verdade e o que é o certo.

Ainda em março, muitas questões permeavam as rotinas de todos: seguir pagando fornecedores? Trancar projetos? Rescindir contratos? Demitir? Logo após isso, também os questionamentos sobre o funcionamento do home office. O ser humano de forma geral precisou flexibilizar suas verdades em todas as áreas da vida. Mas, nas relações de trabalho, foi a ‘cereja do bolo’. Teve-se de mudar a forma de entender produtividade, resultado, registro de processos, comunicação. Mudar também os rituais normais, como número de reuniões, como fazer feedback… Mas o mundo do trabalho precisava muito de maior flexibilidade.

Mais tecnologia, menos comando e controle

O uso da tecnologia é um dos elementos que as empresas não poderão abrir mão daqui pra frente. Porém, a questão dos processos e da forma de comunicação não é uniforme. Apesar de pouquíssimas empresas passarem isentas, não foi um homogêneo – cada uma evoluiu na sua velocidade, dentro da sua realidade. Quem já tinha uma predisposição ou quem já estava no formato mais interessante de comunicação, de flexibilização e de utilização de processos desconstruídos, de times mais em trabalho em rede com menos comando e controle, evoluiu absurdamente. Já quem estava muito comando e controle, era industrial, acredita-se que tiveram também um grande impacto e precisaram questionar muitas coisas e aprenderam sobre as possibilidades do ser humano.

LEIA TAMBÉM  Regula LEM Refis possibilita até 90% de desconto no IPTU

Acredita-se que, as práticas de comando e controle, da era industrial e que ainda estão dentro de muitas organizações sofreram mais um grande impacto com a pandemia. Se viu que essas práticas antigas não são inteligentes. Por exemplo, controlar quanto tempo se faz um cafezinho ou quanto tempo a funcionária fica no banheiro se maquiando. Não é isso que importa, e sim o quanto ela entende o papel dela e o quanto ela está se entregando para aquilo que ela faz e se esforçando dia a dia para evoluir.

Como viver o home office da melhor maneira

Rotina e exceções: duas palavras-chave para viver o home office com harmonia. Independente da área, todos precisam entender quais são suas ‘entregas chave’, ou seja, aquelas que sempre se mantém, independente da situação e aquilo que é emergente, daquele momento. Uma sugestão é que se prepare a semana antes do dia. Ou seja, pensar na próxima semana na sexta-feira e não na segunda. É interessante que se chegue na segunda-feira já sabendo como vai ser a semana e o dia. Lembrando que planejamento não é para enrijecer, mas sim dar mais flexibilidade. Essa organização ajuda também para quando surgem imprevistos.

Outro ponto importante é a comunicação. Ela precisa cada vez mais da fala e do detalhamento. Quando não se pode fugir da escrita, ela tem que ser muito detalhada e a comunicação viva precisa englobar pensamentos e emoções. Não é só de razão que se faz o fluxo da comunicação.

Qual mãe ou pai não teve seus filhos ao fundo das reuniões virtuais? As combinações entre a família também são um elemento importante no trabalho remoto, principalmente em uma casa com crianças. Uma dica é ter sinais em casa, por exemplo: quando os pais colocam o abajur em tal lugar, é porque estão em reunião e não podem ser interrompidos. Também é preciso naturalizar estas situações. Não é preciso ficar constrangido quando a criança aparece na tela, pois faz parte. Em uma casa com mais pessoas, isso eventualmente vai acontecer.

LEIA TAMBÉM  Obras de urbanização foram retomadas no bairro Jardim das Acácias

Um último ponto é o equilíbrio entre momentos de concentração e distração. É fundamental que as pessoas possam estruturar hábitos de concentração e hábitos de distração. Por exemplo, se afastar do celular, fechar o whatsApp no computador quando não pode responder – avise as pessoas, olhe a cada uma hora e não a todo momento, como costuma-se fazer. Quando está almoçando, não ficar olhando para a tela do computador. E quando voltar ao trabalho, não interromper este momento. Estando em casa, a tentação de levantar e ir pegar algo no armário acontece, mas é preciso respeitar os limites que se estabeleceu.

Flexibilização não é desordem, assim como planejamento não é rigidez. É preciso relativizar os conceitos. A concentração é como se fosse um mergulho: para se atingir profundidade, é preciso seguir no mergulho. Quem mergulha e logo depois volta para a margem, não atinge a profundidade. Ou seja, cada vez que a gente levanta ou abre outra tela no computador que não a do trabalho central, no momento que reservamos para a concentração, estamos voltando para a margem. As pessoas precisam mergulhar em momentos de concentração para que sua produtividade e performance tenham consistência.

Mariana Nunes

 

 

/ Published posts: 2683

Somos um editorial online com notícias e informações de Luís Eduardo Magalhães e Região. Tudo que acontece no Oeste Baiano, você encontra aqui.

Facebook
Instagram