Boi gordo mantém preços estáveis em outubro

em Agronegócio
2 de outubro de 2025
Boi gordo: os 4 fatores que mantêm preços estáveis e as expectativas para os próximos meses

Preço do boi gordo mantém estabilidade em outubro na maior parte do Brasil

O mercado brasileiro de boi gordo começou outubro sem grandes oscilações nas cotações, refletindo um equilíbrio entre oferta e demanda. A manutenção de aportes regulares de animais para os frigoríficos e a ampliação da capacidade de confinamento sustentam a estabilidade dos preços em 30 das 33 praças monitoradas.

Alta taxa de lotação nos confinamentos pressiona cotações

Em setembro, a taxa de lotação dos confinamentos alcançou patamar 16,5% superior ao mesmo período de 2022, de acordo com dados do Cepea e da DSM-Tortuga. Esse reforço dos lotes, aliado ao aumento das vendas a termo por parte dos confinadores, resultou em um menor volume de negociação no balcão spot, esticando as escalas de abate e mantendo o mercado sob leve pressão de baixa.

Panorama regional das cotações

Das 33 praças pesquisadas pela Scot Consultoria, apenas Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro registraram elevações pontuais. Em Barretos (SP) e Araçatuba (SP), consideradas referências nacionais, a arroba do boi gordo segue cotada em R$ 302,00 para pagamento a prazo. Já em Cuiabá (MT), principal polo de bovinocultura de corte, o preço médio à vista caiu 4,5% ao longo de setembro, terminando o mês em R$ 286,71 a arroba.

Indicador Cepea/Esalq recua em São Paulo

O indicador Cepea/Esalq, que consolida a média de preços em São Paulo, registrou retração de 2,1% em setembro, encerrando o mês a R$ 304,10 por arroba. A desaceleração acompanha o comportamento geral do atacado, onde a oferta fluida para abates tem limitado ajustes expressivos de alta.

Exportações impulsionam a demanda pelo boi gordo

Do lado da demanda global, as exportações de carne bovina mantêm desempenho robusto. Nos primeiros 20 dias úteis de setembro, o embarque diário médio alcançou 14,7 mil toneladas, 23% acima do registrado em igual período de 2022, segundo a Secex. Esse incremento sustenta parte da absorção da produção e ameniza possíveis quedas mais acentuadas nas cotações internas.

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Consumo interno apresenta retração no atacado

Apesar das exportações aquecidas, o consumo doméstico não absorveu totalmente o volume ofertado pelos frigoríficos. Na Grande São Paulo, o quilo da carcaça casada bovina atacadista caiu 2,5% em setembro, chegando a R$ 20,91 o quilo à vista. O corte dianteiro, opção mais econômica para o varejo, desvalorizou 4,2% no mês, sendo negociado a R$ 18,35 o quilo.

Perspectivas para os próximos meses

Com as escalas de abate alongadas e os confinamentos operando com alta lotação, a tendência é de manutenção da estabilidade ou leve acomodação nos preços do boi gordo em outubro. A dinâmica futura dependerá da evolução do consumo interno, da continuidade das exportações em patamares elevados e das condições climáticas que afetem a engorda em pasto. Em um cenário que privilegiou a oferta regular de boiadas neste primeiro mês da safra de verão, a fluidez das vendas a termo também pode ser determinante para balizar os preços nos próximos meses.

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