Mercado Chinês Recebe Primeiras Cargas de DDGS do Brasil
Com a abertura formal em maio de 2025, a China recebe agora seus primeiros carregamentos de DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles) originários do processamento de milho brasileiro. Ao todo, serão exportadas 65 mil toneladas, movimentando a logística e as cadeias de produção, além de abrir caminho para a consolidação do Brasil como provedor global desse coproduto de alta relevância para a alimentação animal.
Embarques Iniciais e Logística Portuária
A Inpasa lidera o primeiro grande lote, com 62,5 mil toneladas de DDGS com solúveis, partindo do porto de Imbituba (SC). O embarque está previsto para começar no dia 8 de fevereiro. A FS complementa com 3 mil toneladas de DDG de alta proteína (HPDDG), carregadas pelo porto de Santos (SP), também nas próximas semanas.
Nenhuma das empresas divulgou o valor comercial das operações, mas ambas reforçam o potencial de recuperação do mercado interno de DDGS e a diversificação de destinos.
Expansão das Exportações da Inpasa
Contratos já asseguram mais 250 mil toneladas de DDGS para a China ao longo de 2026. A expectativa da Inpasa é que o país asiático represente cerca de 50% de suas exportações de DDGS neste ano, totalizando aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Com a produção projetada em 3,3 milhões de toneladas de DDGS para 2026, a Inpasa já exportou 800 mil toneladas em 2025, atendendo mercados como Espanha, Turquia, Vietnã, Indonésia e Arábia Saudita.
Segundo Renato Zicardi, diretor de Trading Internacional da Inpasa, a combinação de alta digestibilidade e teor de solúveis confere ao produto brasileiro uma vantagem competitiva sobre o DDG norte-americano, geralmente não solúvel.
Perspectivas de Crescimento da FS
Para a safra 2025/26, a FS projeta um salto de 180% nas exportações de DDGS em comparação à temporada anterior. Com foco especial em Indonésia e Vietnã, a companhia também abastece mercados na América Latina e na Europa. A FS destaca em seu portfólio a alta densidade proteica e o valor agregado do seu DDG, reforçando as oportunidades de penetração em novas frentes de consumo animal.
Impacto no Balanço Oferta–Demanda
A forte expansão das usinas de etanol de milho no Brasil elevou significativamente a oferta interna de DDGS, pressionando estoques e preços. A entrada sólida da China como compradora de primeira ordem tende a:
• Melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda;
• Sustentar cotações em patamares mais atrativos para os produtores;
• Reduzir o excedente doméstico que vinha acelerando a expansão das unidades de armazenamento.
De acordo com o relatório de janeiro do adido agrícola americano Thiemi Hayashi, caso a aceleração de vendas para a China se confirme, poderá haver “preços de DDGS mais sustentados e condições de compra menos favoráveis à pecuária, em comparação a 2025”.
Competição com os Estados Unidos e Diferenciação do Produto
Até o início de 2026, os Estados Unidos eram quase os únicos fornecedores de DDGS para o mercado chinês. A entrada do Brasil introduz maior competitividade, especialmente por oferecer:
– DDGS solúvel, com melhor aproveitamento nutricional em rações;
– Flexibilidade para carnes bovina de corte, leite e suínos;
– Alternativa de fornecimento em volumes crescentes.
Crescimento da Produção Brasileira de DDGS
O Brasil iniciou as exportações de DDGS em 2022. Em 2025, embarcou 880 mil toneladas para diversos continentes. Na safra 2024/25, a produção nacional atingiu 4,2 milhões de toneladas. Dados da safra 2025/26 ainda estão sendo consolidados, mas indicam nova expansão impulsionada pelas demandas globais.
Os primeiros embarques rumo à China marcam um divisor de águas para o agronegócio brasileiro: além de abrir portas para novos contratos e elevar receitas cambiais, fortalecem o posicionamento do Brasil como fornecedor estratégico de coprodutos de milho, contribuindo para o amadurecimento de toda a cadeia de etanol e nutrição animal.
