Irrigação: A Chave para a Sustentabilidade no Agronegócio em Tempos de Crise Climática

em Agronegócio
2 de janeiro de 2026
Irrigação: A Chave para a Sustentabilidade no Agronegócio em Tempos de Crise Climática

As secas cada vez mais frequentes e intensas em regiões-chave da agricultura brasileira, agravadas pelas mudanças climáticas, impulsionam a adoção de sistemas de irrigação como estratégia essencial para mitigar riscos e garantir a produtividade. Entretanto, a combinação de preços elevados das commodities, taxas de juros altas e acesso restrito ao crédito dificulta a ampliação desses investimentos no campo.

A Importância da Irrigação no Agronegócio Brasileiro

Produtores têm encarado a irrigação não apenas como um insumo, mas como um verdadeiro “seguro” contra perdas causadas por estiagens e irregularidades pluviométricas. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indicam que, nas áreas de grãos, cerca de 60% já contam com algum tipo de irrigação, patamar que atinge 80% quando se considera exclusivamente pivô central. Apesar desse avanço, a rentabilidade das culturas de grãos permanece baixa, o que reduz a atratividade dos projetos de instalação de pivôs e sistemas de gotejamento.

Cenários de Mercado para Irrigação por Pivô Central e Gotejamento

Segundo estimativas da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Abimaq, em 2025 o segmento de pivô central deverá apresentar faturamento estável, enquanto o mercado de gotejamento registra crescimento de cerca de 15%. Já para 2026, a perspectiva se inverte: o pivô deve recuar aproximadamente 5% e o gotejamento tende à estabilidade ou ligeira queda. Essa diferenciação reflete a destinação das tecnologias – grãos para pivô e, sobretudo, frutas e café para os sistemas de gotejamento – e as condições específicas de cada cadeia.

Barreiras Financeiras e Elevadas Taxas de Juros

A taxa Selic acima de 15% encarece qualquer linha de crédito rural e obriga muitos produtores a recorrer a recursos próprios, operações de barter ou financiamentos em dólar via instituições privadas. Paralelamente, os bancos – preocupados com a elevação na inadimplência do agronegócio – têm endurecido os critérios de liberação, tornando uma vasta gama de linhas de financiamento disponíveis, mas acessíveis na prática apenas a poucos agricultores. Profissionais do setor defendem, entretanto, que a adoção da irrigação reduz o risco de inadimplência e deveria resultar em juros mais competitivos para quem investe na tecnologia.

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Expansão de Culturas e Novas Fronteiras Irrigadas

A busca por melhores condições produtivas tem levado à migração de culturas tradicionais para regiões que, historicamente, não contavam com grandes lavouras. A citricultura, por exemplo, está se deslocando para Mato Grosso do Sul e Goiás, longe dos focos de greening em São Paulo, em locais onde o plantio já nasce com irrigação. O cacau avança para áreas do Cerrado na Bahia, no norte de Minas Gerais e no Tocantins, assim como no sul do Pará e no noroeste paulista. O café, motivado pela alta rentabilidade, também impulsiona as vendas de sistemas de gotejamento.

Desempenho e Projeções das Indústrias de Irrigação

A israelense Netafim, líder global em gotejamento, finalizou 2025 com faturamento 22% superior ao ano anterior e projeta uma expansão de 12% a 15% em 2026. Para o CEO Ricardo Almeida, “os problemas climáticos de 2024 provocaram uma virada de chave entre os agricultores, que enxergam a irrigação como fator decisivo de competitividade”. Já no segmento de pivô central, a Valmont Brasil e a Bauer do Brasil buscam caminhos distintos para driblar a desaceleração esperada: financiamento em dólar e inclusão de pequenos e médios produtores, chegando a oferecer condições exclusivas de parcelamento. Com essa estratégia, a Bauer espera crescer entre 5% e 10% em 2025, embora mantenha projeção mais conservadora para o ano seguinte, influenciada pelo calendário eleitoral.

Estratégias para Facilitar o Crédito Rural

Para ampliar o acesso, a indústria e entidades setoriais têm promovido diálogos com instituições financeiras com o objetivo de criar linhas específicas que considerem a redução de risco proporcionada pela irrigação. Além disso, surgem iniciativas de seguro rural atrelado à produtividade irrigada e programas governamentais focados na agricultura familiar, cuja meta é democratizar o uso de sistemas mais simples e de custo reduzido.

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As perspectivas para o agronegócio sugerem que a irrigação seguirá como tema central na agenda de investimentos do campo. Se, por um lado, a limitação de recursos financeiros e a pressão sobre as margens exigem soluções criativas, por outro, a crescente vulnerabilidade climática reforça a necessidade de ampliar áreas irrigadas para garantir safras mais seguras e rendimentos consistentes, consolidando o papel da irrigação como pilar estratégico para a sustentabilidade e competitividade do setor.

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