Duas novas variedades de cana-de-açúcar com alto potencial produtivo
O Instituto Agronômico (IAC) apresentou duas cultivares inéditas de cana-de-açúcar, a IAC07-2361 e a IAC09-6166, desenvolvidas desde 2007 e lançadas oficialmente no Centro de Cana de Ribeirão Preto. Ambas prometem elevar a produtividade e oferecer maior eficiência operacional ao setor sucroenergético brasileiro, unindo rusticidade, adaptação à mecanização e elevado índice de brotação.
Características da variedade IAC07-2361
A IAC07-2361 destaca-se pela robustez do seu ciclo de crescimento e pelo vigor inicial expressivo. Com porte semiereto, essa cultivar atinge uma média de 14,7 colmos por metro, o que equivale a aproximadamente 98 mil colmos por hectare. Seu rápido estabelecimento no canavial acelera o fechamento da entrelinha, reduzindo a concorrência de plantas daninhas e melhorando a eficiência no uso de insumos. Além disso, a IAC07-2361 exibe excelente adaptabilidade às operações mecanizadas, tanto no plantio quanto na colheita, fator fundamental para produtores que buscam reduzir custos de mão de obra e otimizar a logística da safra.
Diferenciais da variedade IAC09-6166
Também de porte semiereto, a IAC09-6166 chama a atenção pelo alto teor de sacarose mantido durante toda a safra. Enquanto variedades convencionais apresentam pico de açúcar em momentos específicos do ciclo, essa cultivar inicia a safra com um elevado índice de sacarose já em abril e se mantém até outubro, garantindo maior rendimento na produção de açúcar e etanol. A longevidade desse teor açucareiro, aliada ao bom desenvolvimento vegetativo, fortalece a competitividade da IAC09-6166 em regiões com colheitas estendidas e condições climáticas variadas.
Processo de desenvolvimento e testes regionais
O caminho até o lançamento dessas cultivares envolveu quase duas décadas de pesquisa e superação de desafios institucionais. Desde 2007, o IAC conduziu experimentos em 14 diferentes regiões agroclimáticas do país, contando com a colaboração de 196 empresas parceiras do setor de bioenergia. Essa rede de testes permitiu avaliar as variedades em solo, clima e manejo diversos, assegurando que as cultivares apresentem performance consistente em inúmeras condições. Ao longo das últimas décadas, o instituto já havia lançado 42 variedades, consolidando sua expertise em genética canavieira.
Dados do Censo Varietal e panorama nacional
Durante o lançamento, também foi apresentado o novo Censo Varietal, que mapeou as variedades de cana cultivadas em 255 unidades produtoras, totalizando 6,7 milhões de hectares – equivalente a 68% da área plantada no país. O levantamento apontou as cinco cultivares mais difundidas:
• CTC4 (11,3% das áreas)
• RB 867515 (10,7%)
• RB 9662579 (9,5%)
• RB 92579 (5,9%)
• RB 975242 (5,3%)
No ranking, a variedade IACSP95-5094 ocupa a 13ª posição, com 1,7% de presença. O estudo também revelou a lenta taxa de renovação genética na cana-de-açúcar, com cultivares permanentes por até 30 anos. Entre a safra 2015/16 e 2024/25, a participação das variedades do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) saltou de 11,5% para 30%; as cultivares RB, da Ridesa, recuaram de 62,4% para 53,6%; e as do IAC passaram de 2,6% para 6,1%.
Recomendações para diversificação de cultivares
Para maximizar a resiliência do sistema de produção e reduzir riscos sanitários e climáticos, o IAC orienta que os produtores limitem a área de cada variedade “craque” a, no máximo, 15% da área total e distribuam as demais cultivares em parcelas de até 10%. Em regiões com alta variabilidade ambiental, é recomendável utilizar ainda mais materiais, mantendo cada variedade em cerca de 3% da área para garantir equilíbrio entre produtividade, rusticidade e longevidade do canavial.
Com as novas IAC07-2361 e IAC09-6166, o setor amplia seu portfólio genético, disponibilizando opções que combinam vigor inicial, mecanização, produtividade e teor de sacarose prolongado. Essas características contribuem para elevar a eficiência produtiva e fortalecer a competitividade da cana-de-açúcar brasileira no cenário global.
