O governo federal alcançou a marca histórica de 500 mercados abertos para o agronegócio brasileiro desde o início de 2023, gerando US$ 3,4 bilhões em novos negócios no período. Com potencial de chegar a US$ 37 bilhões anuais à medida que o fluxo comercial se consolida, essa estratégia de expansão reforça o papel do Brasil como protagonista global no fornecimento de produtos agropecuários.
Expansão de Mercados e Impacto Econômico
Desde 2023, cada novo mercado conquistado pelo agronegócio tem representado, em média, US$ 6,8 milhões em receita adicional. O acumulado de US$ 3,4 bilhões traduz crescimento de participação nos principais segmentos: carnes, grãos, fibras e produtos processados. A diversificação de destinos minimiza riscos de concentração, garantindo maior estabilidade de receita, mesmo diante da volatilidade nos preços internacionais.
Aberturas Recentes e Setores Atendidos
Na última semana, o Brasil celebrou sete novas aprovações sanitárias e fitossanitárias:
– Castanha de baru para os cinco países da União Econômica Euroasiática (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia).
– Frutas congeladas e desidratadas para o Japão.
– Arroz beneficiado para a Nicarágua.
Além disso, está iminente a liberação de sorgo para o Peru, ampliando ainda mais o leque de oportunidades em cereais.
Cerimônia de Inauguração da Nova Sede da ApexBrasil
Em Brasília, o presidente da República e o ministro da Agricultura participaram da inauguração da nova sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil). O evento simbolizou o compromisso governamental com a diplomacia comercial e a promoção ativa das vendas externas.
Visão do Ministério da Agricultura
Carlos Fávaro, titular da pasta, destacou que “quinhentos novos mercados é um feito histórico para o Brasil e para o mundo. Nenhum país consegue ampliar dessa forma em três anos seus horizontes comerciais”. Segundo ele, “é um mercado novo a cada dois dias” e os resultados efetivos em negócios deverão se consolidar ao longo dos próximos anos.
Posicionamento Presidencial e Estratégia de Qualidade
O presidente da República enfatizou a vocação competitiva do Brasil: “Temos de ser humildes, trabalhar mais e aprimorar nossos produtos, pois nossa abundância de recursos e possibilidades não encontra paralelo no mundo”. A ênfase na qualidade e sustentabilidade aparece como pilar para garantir diferenciais frente a concorrentes.
Postura e Departamentalização na Diplomacia Comercial
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, atribuiu o êxito à valorização de uma “postura altiva” nas negociações — em especial no diálogo com os Estados Unidos sobre tarifas — e à formulação de políticas de deflação de custos, que ampliaram a competitividade dos insumos nacionais.
Projeções de Exportação e Corrente de Comércio
Geraldo Alckmin, vice-presidente e responsável pela pasta de Indústria, Comércio e Serviços, projeta recorde de US$ 345 bilhões em exportações e US$ 629 bilhões em corrente de comércio. Mesmo diante da desaceleração global e da queda de preços de commodities, o setor promete crescimento robusto, com destaque até para itens sazonais como o panetone.
ApexBrasil: Missões e Parcerias Globais
Sob a liderança de Jorge Viana, a ApexBrasil mantém 52 convênios setoriais e participa anualmente de mil eventos no exterior. Na atual gestão, foram realizadas 24 missões oficiais, com mais de 8.000 empresários mobilizados. As próximas viagens têm direção definida: Índia, Coreia do Sul e Alemanha, sinalizando foco em economias de grande potencial.
Papel do Setor Privado e Depoimentos
O empresário Wesley Batista, da JBS, ressaltou que “o trabalho do governo é um diferencial enorme para o agronegócio e para a indústria brasileira”. Para ele, o acesso a novos mercados é fundamental para sustentar a ascensão das exportações de proteína animal, que jamais alcançaram volumes tão elevados.
Crescimento dos Pulses: Feijão e Gergelim
No segmento de pulses, a Dassoler Agronegócio ampliou em 45% as exportações de feijão (500 mil toneladas) e em 49% as de gergelim (485 mil toneladas) em relação a 2024. Caroline Dassoller destaca que o aumento de vendas não afetou os preços domésticos, reforçando a política de segurança alimentar. A possível abertura da China pode significar um adicional de 500 mil toneladas anuais de feijão mungo e 200 mil toneladas de feijão guandu.
Desafios Logísticos e Infraestrutura Portuária
Para suportar essa expansão, o setor de pulses reivindica terminais dedicados nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP) e a contratação de mais auditores fiscais para emissão de certificados fitossanitários. A agilidade nos processos de embarque e a qualidade na inspeção são fatores críticos para manter a competitividade.
Consolidação do Brasil como Maior Exportador de Algodão
A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) afirma que o país responde por cerca de um terço do comércio mundial de fibra. Na safra 2024/25, a estimativa é de 2,8 milhões de toneladas exportadas, gerando US$ 4,8 bilhões. Para 2025/26, o setor aposta em superar as 3 milhões de toneladas e faturar mais de US$ 5 bilhões.
A abertura de 500 mercados em três anos, somada aos resultados expressivos de diferentes cadeias produtivas, reafirma a força do agronegócio brasileiro no cenário internacional. Com atuação coordenada entre governo, ApexBrasil e iniciativa privada, o Brasil consolida-se como fornecedor diversificado e competitivo, com capacidade de gerar valor e garantir segurança alimentar global.
