Jumentos Reprodutores de Elite Valorizados em Até R$ 600 Mil: Mercado, Criadores e Perspectivas
O segmento de criação de jumentos no Brasil vive um momento de expansão e profissionalização. Longe das histórias de abandono em rodovias no Nordeste, reprodutores de alta linhagem nas regiões Sudeste e Centro-Oeste atingem preços que rivalizam com os de equinos e bovinos de elite. Nessa vertente, os melhores exemplares podem ser negociados por até R$ 600 mil, resultado de programas de melhoramento genético, exposições nacionais e exportação para toda a América do Sul.
Panorama Atual do Mercado de Jumentos de Elite
Nos polos pecuários de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, a criação de asininos e muares deixou de ser uma atividade marginal para se consolidar como um negócio rentável. Enquanto a média de preço de um reprodutor gira em torno de R$ 120 mil, animais de linhagem premiada superam essa faixa. Além do uso tradicional como tropa de trabalho, esses jumentos participam de julgamentos, leilões e provas que distribuem cerca de R$ 350 mil em prêmios anuais.
Guarani MAAB: Marco-Antônio Barbosa e o Jumento de R$ 600 Mil
O exemplar mais caro do Brasil é o Guarani MAAB, avaliado em R$ 600 mil pelo criador Marco Antônio Barbosa, da Fazenda Boi Branco da Serra. Selecionado em um intenso programa de acasalamentos, Guarani integra exposições de alto nível e atrai o interesse de investidores que buscam animais de elite para aprimorar seus plantéis. Alguns reprodutores exportados para países vizinhos consolidaram a reputação dessa linhagem pêga.
Cristiano Carvalho Marzola: A Tradição de Mais de 600 Crias
Em Uberaba (MG), Cristiano Marzola cultiva a paixão pelos asininos desde os 14 anos. Na Fazenda Certeza, já foram produzidos mais de 600 animais, com um plantel atual de 4 reprodutores e 27 matrizes. Seus jumentos para cobertura chegam a custar de R$ 3 mil a R$ 5 mil, enquanto os reprodutores alcançam valores entre R$ 20 mil e R$ 100 mil. Entre seus destaques estão Himalaia da Certeza, várias vezes campeão da raça pêga, e Patrimônio da Certeza, grande campeão nacional. Marzola ressalta que o negócio “paga bem as contas” e mantém forte demanda de criadores de todo o país.
Martin Franck Herman: Pioneiro em Cruzamentos de Muares
Instalado em Itapetininga (SP), Martin Herman iniciou suas atividades em 1998 com foco em mulas. Ao introduzir a raça pêga em seu rebanho, ele estabeleceu o Criatório Campeãs da Gameleira, que hoje possui três reprodutores fixos, sete rotacionais, 38 jumentas matrizes e 35 éguas. A produção anual é de 33 a 35 crias de jumentos e cerca de 30 de muares. Os jumentos desse criatório são negociados em média entre R$ 25 mil e R$ 30 mil, com animais de ponta chegando a R$ 500 mil e, em casos raros, a R$ 1 milhão. As matrizes de destaque podem alcançar valores de R$ 300 mil, especialmente durante fenômenos de “bolha de mercado” focados em fêmeas superiores. Herman exporta para México, Argentina, Paraguai, Venezuela e Colômbia e sonha com a participação na feira Equitana, na Alemanha.
Wilson Brockman e o Resgate do Jumento Nacional
No município de Itaquiraí (MS), o produtor de grãos Wilson Brockman mantém um plantel de 110 asininos e muares da raça jumento nacional, desenvolvida a partir de seleção iniciada em 1939 pela Apta/SP. Focado em resistência ao calor, docilidade e longevidade, Brockman comercializa reprodutores de genética pura por valores entre R$ 30 mil e R$ 120 mil. Ele destaca a eficiência do jumento nacional em atividades de campo, sobretudo em áreas montanhosas e trilhas íngremes, transportando com conforto vaqueiros e cargas.
Programas de Melhoramento Genético e Exposições
A busca pela excelência genética impulsiona associações como a ABCJPêga, que organiza exposições e julgamentos com parâmetros rigorosos de conformação, aptidão ao trabalho e carimbagem de pedigrees. Em âmbito nacional, eventos como a Exposição Nacional da Raça Jumento Pêga reúnem criadores, compradores e jurados técnicos. Leilões presenciais e virtuais movimentam milhões de reais por temporada, consolidando o mercado de asininos no agronegócio.
Utilidades do Jumento e da Mula nas Propriedades Rurais
Além da resistência natural a altas temperaturas e da robustez em terrenos acidentados, jumentos e muares possuem musculatura adaptada para longas jornadas de trabalho. A docilidade desses animais favorece treinamentos voltados ao transporte de pessoas e cuidados de pasto. Concursos de marcha, provas de tração e apresentações infantis reforçam o apelo cultural herdado dos tropeiros, criando nichos especiais de uso recreativo e turístico.
Coberturas, Embriões e Novas Fontes de Receita
O comércio de coberturas de jumentas e éguas hoje representa uma parcela significativa da renda dos criadores. Pacotes de cobertura oscilam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, e a comercialização de embriões provenientes de matrizes superiores está em ascensão, com preços que variam conforme pedigree e índice genético. Essa diversificação alavanca ganhos mesmo em anos de baixa reposição de reprodutores.
Exportação e Reconhecimento Internacional
A demanda por jumentos de alta genética não se limita ao mercado interno. Criadores do continente americano e da Europa manifestam interesse crescente pelo cruzamento com éguas de corrida e de lazer, reforçando o Brasil como fornecedor de linhagens pêga e nacionais. Participações em feiras como Expointer (RS) e eventos internacionais ampliam a visibilidade da raça brasileira.
Tendências e Desafios para o Futuro
O setor de asininos e muares enfrenta desafios como a necessidade de padronização de registros, investimentos em sanidade e a profissionalização de jovens criadores. Entretanto, a rentabilidade comprovada e o apelo cultural garantem perspectivas otimistas. Especialistas projetam a expansão das exportações, o fortalecimento de associações e o surgimento de novas tecnologias de reprodução assistida, consolidando o jumento como um ativo estratégico no agronegócio brasileiro.
Com preços que variam de R$ 20 mil a R$ 600 mil, criadores dedicados ao melhoramento genético de jumentos e muares demonstram a viabilidade econômica dessa atividade. Ao combinar tradição, paixão e ciência, o mercado de asininos no Brasil se projeta como um segmento de alto valor agregado e impacto cultural, prestes a conquistar novos patamares de reconhecimento internacional.
