Brasil fecha 2025 com recorde histórico de US$ 169,2 bilhões em exportações do agronegócio
Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou seu melhor desempenho da série histórica, ampliando em 3,6% o volume embarcado de produtos agropecuários, mesmo diante de uma leve queda de 0,6% nos preços médios. O faturamento alcançou US$ 169,2 bilhões, resultado que consolida o país como protagonista no comércio global de alimentos e fibras.
Grãos disparam e impulsionam receita bilionária
O setor de grãos foi o principal vetor de crescimento. A soja, carro-chefe da pauta exportadora, atingiu 108,2 milhões de toneladas embarcadas em 2025, uma alta de 9,5% em relação ao ano anterior. A demanda chinesa seguiu firme, sustentando as cotações mesmo em um cenário de incertezas nas relações entre Pequim e Washington. Para 2026, projeções da consultoria Céleres apontam para um novo salto, entre 112 e 113 milhões de toneladas, puxado pela competitividade cambial e pela expectativa de safra favorável.
No algodão, o Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, totalizando 3,03 milhões de toneladas, crescimento de 9% sobre 2024. Apesar de juros elevados e inflação global, a qualidade da fibra brasileira ampliou sua participação em mercados antes dominados pelos Estados Unidos e países africanos. Para a temporada 2025/26, a área plantada pode recuar, mas consultorias e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) estimam 3,16 milhões de toneladas em embarques, um recorde que reforçaria a trajetória de longo prazo.
Carnes superam desafios e estabelecem novos padrões
A pecuária de corte registrou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina exportadas em 2025, uma alta de 40,1% e um recorde de volume. Mesmo após tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, o país manteve a China como principal destino. Para 2026, no entanto, a introdução de cotas chinesas permitirá despacho livre de tarifa apenas até 1,1 milhão de toneladas, 31% abaixo do nível de 2025. O excedente sofrerá uma alíquota de 55%, o que deve reduzir as vendas, a menos que negociações diplomáticas alterem o quadro.
Em contrapartida, as proteínas aviárias e suínas continuam em expansão. As exportações de carne de frango somaram 5,324 milhões de toneladas, um ligeiro avanço de 0,6%, apesar de um surto de gripe aviária que provocou embargos temporários da União Europeia e China. Com esses mercados já reabertos, a expectativa é de nova marca em 2026. Já os ovos tiveram um salto de 121,4%, atingindo 40,89 mil toneladas, representando mais de 1% da produção nacional destinada ao exterior — um feito sem precedentes.
O setor suinícola também quebrou recorde, com 1,510 milhão de toneladas exportadas, um crescimento de 11,6%. O Brasil deverá ultrapassar o Canadá e assumir a terceira colocação mundial, alavancado pela diversificação de destinos. As Filipinas emergiram como maior importador, enquanto Japão e Chile figuram entre os cinco principais.
Vivo ou abatido: gado reflete a força do agronegócio
Além das proteínas processadas, o Brasil bateu recorde no embarque de gado vivo, com 1,05 milhão de cabeças, uma alta de 5,53%. A competitividade de custos, a regularidade de abastecimento e a escala produtiva sustentam a posição do país como fornecedor estratégico para mercados do Norte da África e Oriente Médio.
Outros produtos em alta: de pimenta a castanha de caju
Pequenas safras também protagonizaram resultados excepcionais em 2025:
• Pimenta-piper seca ou triturada: 803 mil toneladas, +34,6%
• Amendoim: 311,5 mil toneladas, +37,3%
• Óleo de amendoim: 173 mil toneladas, +180,4%
• Melões frescos: 283,4 mil toneladas, +16,4%
• Castanha de caju: 16,6 mil toneladas, +120,2%
Esses números reforçam que, além dos gigantes soja, carne e algodão, o portfólio de exportações brasileiras se diversifica e atende às demandas de nichos específicos no mercado internacional, agregando valor à produção e minimizando riscos de concentração.
Perspectivas para 2026
Para o próximo ciclo, as proteínas de origem animal mantêm potencial de crescimento, sobretudo frango, suínos e ovos, condicionados ao controle de doenças e à manutenção de acordos comerciais. No caso da soja, a combinação de dólar competitivo e expansão das áreas produtivas pode levar a um novo recorde de exportação, se as condições climáticas colaborarem. Já a cadeia do algodão observa possíveis ajustes na oferta, mas segue projetando alta de embarques. Em um cenário global cada vez mais exigente, o agronegócio brasileiro demonstra resiliência, adaptabilidade e capacidade de inovar, garantindo sua relevância como pilar da balança comercial nacional.
