Cenário Favorável para a Ovinocultura Gaúcha
O mercado da ovinocultura no Rio Grande do Sul vive um momento de recuperação progressiva, sustentado pelo avanço nos preços tanto da lã quanto da carne ovina. Após um período de retração, o setor apresenta sinais claros de valorização, especialmente para lãs finas, que retomaram patamares remuneradores e atraem o interesse de produtores preocupados com a qualidade de seu rebanho. Ao mesmo tempo, o quilo do cordeiro tem sido comercializado em média a R$ 14, valor considerado positivo por tecnólogos e pecuaristas, pois amplia a segurança financeira e reforça a atratividade da atividade como alternativa rentável no agronegócio gaúcho.
Valorização da Lã e da Carne Ovina
A recuperação dos preços da lã, sobretudo das categorias de melhor classificação, tem sido impulsionada pela demanda interna e pela busca por matérias-primas mais refinadas na indústria têxtil. Produtores relatam que, embora ainda não se trate de um momento de euforia, a melhora na remuneração traz confiança para novos investimentos. Paralelamente, a carne ovina ganha espaço no mercado de proteínas, estimulada pela diversificação de hábitos de consumo e por cortes sofisticados que agradam tanto ao varejo quanto ao segmento de restaurantes. A combinação desses dois fatores – lã valorizada e cordeiro bem remunerado – consolida um ambiente favorável para a expansão da ovinocultura no Estado.
Investimento em Genética e Qualificação dos Rebanhos
Quando o mercado reage positivamente, o produtor volta a direcionar recursos para a aquisição de material genético superior. Reprodutores e matrizes de alto padrão, avaliados por técnicos especializados, tornam-se alvos principais nas feiras de verão. A entrada de animais selecionados é estratégica, pois se integra ao ciclo reprodutivo do rebanho gaúcho, que entra em encarneiramento entre janeiro e março. Essa sincronia permite que a melhoria genética impacte diretamente na próxima safra de cordeiros, elevando produtividade, precocidade e qualidade da carcaça, além de aperfeiçoar a fibra lanífera.
Calendário de Feiras de Verão no Rio Grande do Sul
– 18ª Agrovino: 13 a 17 de janeiro, em Bagé
– 48ª Feira de Ovinos de Verão: 22 a 24 de janeiro, em Sant’Ana do Livramento
– 42ª Feovelha: 28 de janeiro a 2 de fevereiro, em Pinheiro Machado
– 48ª Expofeira de Ovinos de Verão: 4 a 8 de fevereiro, em Herval
– 52ª Exposição de Ovinos Meia Lã: 27 de fevereiro a 1º de março, em Jaguarão
Cada uma dessas feiras cumpre um papel essencial na cadeia, promovendo negócios de animais puros e cruzados, intercâmbio de tecnologias e troca de experiências entre criadores, técnicos e entidades de apoio.
Destaques da 18ª Agrovino de Bagé
Referência em qualidade genética, a Agrovino abre o ciclo de eventos oficiais e recebe criadores de todo o Estado. Com cinco leilões programados, a feira apresenta leilões nacionais e regionais que reúnem raças como Merino, Hampshire Down e Texel. Além das vendas, há julgamentos fenotípicos, palestras sobre manejo de pastagens, uso racional de insumos e demonstrações práticas de técnicas inovadoras de cruzamento. Para a Associação Bageense de Criadores de Ovinos (Abaco), a expectativa é de recorde em valores médios por cabeça, reflexo da busca por animais capazes de elevar a rentabilidade nos sistemas de produção.
Importância Estratégica das Feiras de Verão
As feiras de verão funcionam como um termômetro do setor: quando os preços estão aquecidos, o interesse por genética também cresce. Essa dinâmica fortalece toda a cadeia produtiva, pois, a cada edição, renovam-se os plantéis, aprimoram-se técnicas de manejo e consolidam-se parcerias com fornecedores de insumos e serviços veterinários. A articulação entre associações estaduais, cooperativas de criadores e órgãos de pesquisa contribui para o alinhamento das feiras com as necessidades reais dos produtores, promovendo debates sobre sustentabilidade, qualidade da água e correção de solo na criação de ovinos.
O atual momento promissor no Rio Grande do Sul abre caminho para que a ovinocultura ganhe um protagonismo ainda maior dentro do agronegócio brasileiro. Com preços mais atrativos e um calendário amplo de feiras especializadas, os produtores encontram no início do ano a oportunidade perfeita para elevar a produtividade, aprimorar a genética dos rebanhos e garantir margens de lucro mais robustas nos meses seguintes.
