Alimentos essenciais em alta: descubra quais produtos estão pesando mais no seu bolso!

em Agronegócio
13 de fevereiro de 2026

A inflação de alimentos continua pressionando o bolso do consumidor brasileiro, especialmente em produtos básicos do dia a dia. Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE, mostram variações expressivas em itens presentes no carrinho de compras entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. A combinação de eventos climáticos adversos na safra, elevação dos custos de produção e desafios logísticos explica por que gêneros como café, hortaliças e frutas registraram altas que ultrapassam 25%.

Café Solúvel: alta de 27,46% e impacto na rotina

O café solúvel lidera a lista de alimentos com maior reajuste no período, acumulando 27,46% de aumento. A raiz do problema está na valorização do grão verde, cuja oferta caiu em 2024 devido a uma florada fraca, provocada por secas prolongadas e temperaturas acima da média histórica. Grãos de menor qualidade elevaram o custo das matérias-primas e, consequentemente, pressionaram o preço do produto processado. Para o consumidor, isso significa valorizações acentuadas nos pacotes encontrados em supermercados e nas cápsulas solúveis.

Café Moído: prejuízos da safra e reajuste de 23,47%

Em segundo lugar, o café moído registrou acréscimo de 23,47%. Os danos climáticos na temporada de 2024, com estiagens em regiões produtoras como o Cerrado Mineiro e a Alta Mogiana, reduziram o volume de cerejas colhidas e provocaram a baixa qualidade dos grãos. A escassez elevou o preço no mercado atacadista, refletindo-se no varejo. Serviços de torrefação e moagem também sofreram aumento de custos, ampliando a cadeia de reajustes até atingir o consumidor final.

Pimentão: 22,49% de alta por clima imprevisível

Hortaliça amplamente consumida, o pimentão teve aumento de 22,49%. A falta de previsibilidade climática – alternância entre longos períodos de seca e chuvas intensas – comprometeu o desenvolvimento das mudas e gerou perda de produção em estados como Bahia, Espírito Santo e São Paulo. A alta demanda interna, sem contrapartida em maior oferta, fez o preço disparar tanto nos grandes centros como nas feiras livres.

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Manga: aumento de 15,94% diante de extremos térmicos

A manga, fruta tropical bastante consumida no mercado interno, acumulou 15,94% de alta. Ondas de calor acima do normal e chuvas volumosas afetaram os pomares, ocasionando frutos com maturação irregular e menor resistência ao transporte. Com oferta reduzida e custos logísticos maiores – pela necessidade de refrigeração e manuseio cuidadoso – a fruta passou a custar mais caro nas prateleiras e bancas.

Batata-doce: safra prejudicada e elevação de 15,67%

Os efeitos de eventos extremos sobre a batata-doce resultaram em um reajuste de 15,67%. A deficiência hídrica em regiões produtoras do Nordeste e do Sudeste diminuiu o rendimento por hectare, enquanto chuvas torrenciais em momentos críticos do desenvolvimento prejudicaram a colheita mecânica. A menor disponibilidade levou os varejistas a repassarem os custos mais altos ao consumidor.

Mamão: 15,01% de alta pela seleção de qualidade

Com elevação de 15,01%, o mamão sofreu pressão dupla: oferta reduzida em Minas Gerais e Espírito Santo – principais polos de produção – e maior procura por frutos com padrão para exportação. Produtores que conseguiram colheitas com melhor calibre e coloração obtiveram preços mais altos, refletindo-se na média de mercado e elevando o valor pago pelos consumidores.

Mandioca (Aipim/Macaxeira): reajuste de 14,69%

A raiz mandioca, ingrediente fundamental de pratos típicos e insumo para a indústria, teve alta de 14,69%. A combinação de chuvas irregulares e solo encharcado em momentos críticos do ciclo produtivo reduziu a produtividade. Além disso, muitos agricultores migraram para culturas mais rentáveis diante dos baixos preços de mercado anteriores, diminuindo a área plantada e pressionando o valor da matéria-prima.

Cafezinho: alta de 13,10% em bares e cafeterias

O cafezinho servido fora de casa, que já incorpora custos de preparo e serviço, subiu 13,10%. Além da alta do grão, o encarecimento de insumos como copos descartáveis, embalagens e energia elétrica elevou o custo operacional de bares e cafeterias. Profissionais do setor repassaram parte dos aumentos aos clientes, impactando o hábito diário de milhões de brasileiros.

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Coentro: oferta afetada por excesso de umidade e doenças, + 7,71%

Entre as ervas folhosas, o coentro teve acréscimo de 7,71%. Chuvas persistentes no Sudeste, especialmente em São Paulo, causaram alagamentos e favoreceram doenças como míldio e podridão-parda, inviabilizando plantações. A queda drástica na oferta levou a uma disparada nos preços por quilo, observada tanto em grandes redes de supermercados quanto em hortifrutis de bairro.

Melão: 5,64% de alta diante de desafios de qualidade e logística

O melão, fruta sensível a variações de temperatura, acumulou 5,64% de reajuste. O calor excessivo comprometeu o padrão de doçura e textura, enquanto chuvas intensas nos polos produtores – principalmente no Ceará e no Rio Grande do Norte – afetaram o transporte, provocando atrasos e perdas durante o deslocamento até os centros consumidores. A soma desses fatores elevou o preço médio do fruto.

Em síntese, as condições climáticas extremas em 2024 e 2025 foram determinantes para a alta de preços em itens essenciais da cesta básica. A escassez de oferta, aliada aos custos crescentes de insumos, mão de obra e logística, impôs reajustes que penalizam a renda familiar. O monitoramento contínuo dos fenômenos meteorológicos e o investimento em técnicas de irrigação e resistência genética podem atenuar oscilações futuras, mas, no curto prazo, o consumidor seguirá enfrentando preços elevados.

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