Produtores de banana pedem revisão da abertura do mercado brasileiro para frutas do Equador
Movimento dos bananicultores e entidades representativas
Produtores de banana de dez estados brasileiros, apoiados por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores do Brasil), a Abanorte (Associação dos Bananicultores do Norte), a Abavar (Associação Brasileira dos Varejistas de Hortifrutigranjeiros) e a Febanana (Federação Brasileira dos Bananicultores), reuniram-se com os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, para solicitar a revisão imediata da decisão que prevê a importação gradual de até 100 mil toneladas de bananas do Equador em dois anos. Os produtores reivindicam uma nova análise de risco fitossanitário e a reavaliação dos impactos econômicos dessa abertura comercial.
Riscos fitossanitários: a ameaça da Fusarium TR4 e outras doenças
O principal temor do setor é a introdução de pragas e patógenos ainda não detectados no Brasil. O Equador convive com cepas do fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça tropical 4 (TR4), que pode dizimar até 100% das plantações afetadas. No Brasil, apenas a raça 2 da mesma doença está presente, com danos menos severos. Além da TR4, os produtores citam o mosaico das brácteas da banana (Banana bract mosaic virus – BBrMV), que não existe em território nacional, e a Ralstonia solanacearum (Moko da Bananeira), restrita a algumas regiões do Norte e do Nordeste.
Estrutura de produção e vulnerabilidade das variedades Cavendish
As variedades mais cultivadas no Brasil – banana prata e nanica, ambas do grupo Cavendish – são especialmente suscetíveis à TR4. Enquanto a Embrapa conduz pesquisas para desenvolver a banana prata resistente, não há material genético disponível para a banana nanica, deixando os produtores sem alternativas de manejo eficiente caso o patógeno adentre as lavouras. Experiências anteriores, como a dispersão da raça 2 no Norte de Minas Gerais, demonstram o potencial destrutivo de fungos fitopatogênicos em regiões antes prósperas.
Cenário de autossuficiência e impactos socioeconômicos
O Brasil é autossuficiente na produção de bananas, com 7,05 milhões de toneladas colhidas em 470 mil hectares em 2024. A safra rendeu R$ 16,1 bilhões e envolve 200 mil produtores, sendo 80% deles agricultores familiares, gerando cerca de 2 milhões de empregos diretos e indiretos. A introdução de bananas equatorianas a preços competitivos pode enfraquecer toda a cadeia produtiva, causar queda de renda e comprometer a subsistência de 500 mil famílias, segundo estimativa da Conaba, que aponta perdas potencialmente superiores a R$ 2 bilhões anuais.
Demandas por nova análise de risco e garantias sanitárias
Durante a reunião, os representantes solicitaram a realização de uma nova avaliação de risco de pragas quarentenárias, a revisão de protocolos de fiscalização e a adoção de barreiras fitossanitárias mais rigorosas. A CNA reforçou a necessidade de intensificar ações de prevenção e monitoramento, uma vez que a TR4 se caracteriza por persistir no solo e inviabiliza definitivamente áreas contaminadas. O setor cobra a inclusão de medidas de contingência, como auditorias independentes nas unidades de embarque e inspeções constantes de cargas e embalagens.
Posicionamento do governo e próximos passos
Os ministros Carlos Fávaro e Paulo Teixeira garantiram ao setor que o Brasil só irá avançar na abertura caso as análises de risco confirmem segurança sanitária integral. Fávaro destacou a robustez do sistema de defesa agropecuária brasileiro e afirmou que, na presença de qualquer ameaça quarentenária, a importação será suspensa. Teixeira acrescentou que o governo pretende, simultaneamente, ampliar as oportunidades de exportação da banana brasileira, adotando políticas voltadas tanto à proteção dos produtores quanto ao fortalecimento da competitividade internacional da fruta nacional.
A decisão final dependerá dos resultados das novas análises de risco fitossanitário e do diálogo contínuo entre governo e cadeia produtiva, visando conciliar a abertura de mercados e a preservação da saúde das lavouras brasileiras.
