Cabras que Sobreviveram 200 Anos sem Água: A Revolução da Resistência à Seca em Abrolhos

em Agronegócio
3 de abril de 2025
Cabras que Sobreviveram 200 Anos sem Água: A Revolução da Resistência à Seca em Abrolhos

Resistência à Seca: Um Estudo de Caso

Um rebanho de cabras que viveu por 200 anos sem água é um caso único e fascinante que tem atraído a atenção de cientistas e pesquisadores. Esse rebanho, que habitava a Ilha Santa Bárbara, no arquipélago de Abrolhos, extremo sul da Bahia, foi recentemente removido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ser estudado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e a Embrapa.

História do Rebanho

As primeiras cabras teriam sido levadas para Abrolhos por navegadores como proteção contra fome durante expedições, ainda no período de colonização. Isso indica que esses animais sobreviveram em isolamento por mais de dois séculos, chegando a sobreviver sem a presença de fontes de água doce no local. Esta habilidade é notável, considerando que a falta de água é um dos maiores desafios para a sobrevivência de todos os seres vivos.

Impacto Ambiental

A presença dessas cabras na ilha teve um forte impacto no meio ambiente. Elas afetaram a vegetação e o solo da ilha, além de interferirem na reprodução das aves marinhas que utilizam o arquipélago como “berçário”. A erradicação dessas espécies exóticas foi considerada crucial para a regeneração da vegetação da Ilha Santa Bárbara e a proteção das sete espécies de aves marinhas que se reproduzem em Abrolhos, incluindo a grazina-do-bico-vermelho, espécie ameaçada que possui a maior colônia no arquipélago.

Operação de Remoção

A operação para remover o rebanho foi realizada em três expedições, iniciada em janeiro, com a colaboração do ICMBio, da Marinha, da Embrapa, da Uesb e da Adab (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia). Um total de 27 cabras foi removido e agora está sendo analisado para compreender melhor a sua capacidade de adaptação à falta de água.

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Estudos e Pesquisas

As cabras estão sendo estudadas no campus da Uesb em Itapetinga, no interior da Bahia. Elas foram colocadas em quarentena e monitoradas para assegurar sua adaptação ao ambiente continental e prevenir contaminar outros rebanhos, uma vez que são sensíveis a doenças e parasitas. Os especialistas creem que a capacidade de adaptação dessas cabras pode estar ligada a características específicas do seu DNA. O objetivo é confirmar a singularidade genética deste rebanho e entender quais são os genes que explicam a resistência à falta de água potável.

Planos de Conservação

Se for confirmada a singularidade genética dessas cabras, a Uesb e a Embrapa devem começar um plano de conservação para expandir o rebanho, armazenar material genético (sêmen e embriões) e repassá-lo a agricultores. Isso pode ser especialmente benéfico para o cultivo de cabras em áreas semiáridas, onde a escassez de água é um desafio constante. A criação de cabras é uma das principais atividades econômicas e de subsistência para as pessoas que vivem na Caatinga, muitas vezes servindo como a única fonte de proteína para famílias de baixa renda.

Benefícios para a Sociedade

Os estudos sobre as cabras resistentes à seca podem ter um grande impacto na sociedade, especialmente em áreas onde a escassez de água é um problema comum. A possibilidade de potencializar o desempenho dos animais em áreas onde a água é escassa pode ser um avanço significativo para a agricultura e a pecuária. Além disso, o material genético dessas cabras pode ser valioso para pequenas propriedades rurais, onde a criação de animais é uma importante fonte de renda e subsistência.

Desafios e Perspectivas

Apesar dos potenciais benefícios, ainda existem desafios a serem enfrentados. A adaptação das cabras ao ambiente continental e a prevenção de doenças e parasitas são apenas alguns dos desafios com que os pesquisadores se deparam. Ainda assim, com a colaboração entre instituições de pesquisa e a comunidade, é possível vencer esses obstáculos e aproveitar as vantagens que as cabras resistentes à seca podem oferecer. Com o avanço das pesquisas e a realização de planos de conservação, é possível que essas cabras se tornem um exemplo de como ciência e tecnologia podem ser usadas para melhorar a vida das pessoas e do meio ambiente.

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