Descubra como a Fazenda Santa Adelaide transforma legumes exóticos em sucesso gastronômico e orgânico no interior de SP

em Agronegócio
10 de outubro de 2025
Descubra como a Fazenda Santa Adelaide transforma legumes exóticos em sucesso gastronômico e orgânico no interior de SP

Fazenda Santa Adelaide inova com legumes exóticos e orgânicos no interior de SP

Legumes “diferentões” conquistam paladares exigentes

No município de Morungaba (SP), a 100 km da capital paulista, a Fazenda Santa Adelaide vem despertando o interesse de chefs renomados, redes de supermercados e consumidores atentos à alimentação saudável. Sob a gestão do ex-publicitário francês David Ralitera, a propriedade, arrendada e convertida ao cultivo orgânico em 2012, produz semanalmente 1,5 tonelada de hortifrútis em uma área de 30 hectares. O grande diferencial está na oferta de itens raros no mercado brasileiro: berinjela branca, abobrinha amarela, cenoura roxa, branca e vermelha, tomate negro e tomate coração, quiabo vermelho, rabanete melancia, beterraba amarela, mandioca rosa, couve-flor roxa, batata-doce laranja, entre outros.

Curiosidade e pesquisa global de sementes

Movido pela curiosidade e pelo desejo de resgatar variedades quase extintas, Ralitera utiliza plataformas internacionais que reúnem produtores de sementes do mundo todo. Ao identificar culturas adaptáveis ao clima e solo da região de Campinas, ele importa genéticas singularmente resistentes e saborosas. “Há mais de 1.500 tipos de mandioca catalogados, mas o consumidor ainda busca o mesmo tubérculo o ano inteiro — ignorando estação e bioma. É preciso respeitar ciclos e biodiversidade para garantir produtividade e qualidade”, destaca o produtor.

Estratégias de fidelização: cestas temáticas e modelo farm to table

Inicialmente pensado como hobby para oferecer uma alimentação saudável às três filhas, o projeto se transformou em negócio quando as cestas semanais começaram a circular entre amigos e clientes em São Paulo. Misturar legumes tradicionais com as espécies exóticas foi fundamental para surpreender e fidelizar o público. Ao adotar o conceito “farm to table” — da fazenda para a mesa —, Ralitera educou os consumidores sobre a importância de valorizar produtos sazonais, fortalecendo o elo entre quem planta e quem consome.

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Certificação orgânica e abertura de novos canais de venda

Sem certificação, a demanda concentrava-se em entregas diretas a residências. Após obter o selo orgânico, a Santa Adelaide ampliou sua atuação para supermercados, feiras de orgânicos, plataformas de e-commerce e cozinhas industriais. Esse passo possibilitou negociar em escalas maiores e consolidar parcerias com restaurantes renomados de São Paulo. Mesmo com o aumento da concorrência, a qualidade premium e a rastreabilidade atraem clientes dispostos a pagar um valor diferenciado pelos produtos.

Impactos da pandemia e ajustes no portfólio

Durante a pandemia, o fechamento de restaurantes foi compensado pelo crescimento do consumo doméstico de orgânicos. No entanto, o aumento de produtores que não seguem a sazonalidade e vendem em outras regiões gerou a percepção de que orgânicos são caros. Para manter rentabilidade e oferta consistente, a Fazenda Santa Adelaide passou de 400 variedades para um foco rotativo em apenas dez itens por mês. Essa seleção estratégica garante volume de colheita, redução de perdas e melhor relacionamento comercial, evitando oscilações bruscas de preços que prejudicam a cadeia produtiva.

Desafios logísticos e de mercado

Ralitera relata episódios em que, sem contratos de longo prazo, precisou destinar parte da produção ao Ceasa, recebendo valores semelhantes aos dos produtos convencionais. A competição com orgânicos de menor procedência e sem planejamento sazonal também pressiona os preços. Mesmo assim, a fazenda mantém o compromisso com práticas sustentáveis, manejo específico de cada cultivo e respeito ao calendário agrícola.

Operação, equipe e sustentabilidade

Atualmente, a Santa Adelaide conta com 12 colaboradores fixos dedicados ao plantio e à colheita, além de uma equipe de cinco pessoas que atua dois dias por semana na seleção, beneficiamento e embalagem dos produtos. As embalagens em bandejas ou saquinhos plásticos são escolhidas conforme demanda e logística de entrega. A propriedade também investe em técnicas de conservação do solo, rotação de culturas e uso de insumos naturais, garantindo o equilíbrio do ecossistema local.

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Panorama do orgânico no Brasil

Segundo levantamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, há mais de 25 mil propriedades orgânicas no país — um aumento de 150% desde 2013 —, mas essas áreas representam apenas 1,28% do total de terras cultiváveis. O Instituto Brasil Orgânico aponta que a expansão do setor depende de certificação acessível, infraestrutura de escoamento e educação do consumidor para valorizar a diversidade de sabores e nutrientes dos produtos sazonais.

Perspectivas e inovação contínua

Mesmo focando em dez hortifrútis mensais, Ralitera segue pesquisando novas variedades para retomar o portfólio de plantas esquecidas. O objetivo é combinar rentabilidade com inovação, diferenciar o produto brasileiro no mercado interno e potencialmente explorar nichos de exportação. A Fazenda Santa Adelaide se consolida como referência em hortifrútis orgânicos e exóticos, inspirando produtores a explorar a biodiversidade agrícola nacional e oferecer alimentos mais saudáveis e sustentáveis.

A aposta em legumes “diferentões”, aliada a um modelo de negócio flexível e consciente das estações, posiciona a Fazenda Santa Adelaide no topo das tendências de consumo por produtos orgânicos de alta qualidade e experiência gastronômica única.

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